Oclusões

Venosas Retinianas

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Corriqueiramente conhecidas como “tromboses” da retina, as doenças ocasionadas pela oclusão de uma veia retiniana são muito freqüentes. Podemos considerar que, em sua maioria, este grupo de doenças reflete a condição vascular sistêmica do indivíduo e, portanto, deve receber abordagem multidisciplinar por oftalmologista e cardiologista ou clínico geral. Importante salientar que este grupo de doenças é distinto das oclusões arteriais retinianas, cujas causas e prognósticos são diferentes.

As oclusões venosas retinianas ocorrem principalmente em indivíduos entre 60 e 70 anos de idade, acometendo homens e mulheres em igual proporção.



A sintomatologia irá depender principalmente da localização da oclusão. Desta forma, podemos classificá-las como oclusão da veia central da retina (OVCR) ou oclusão de ramo da veia central da retina (ORVR). Na OVCR, temos subclassificações de acordo com o grau de má perfusão dos tecidos retinianos, podendo ela ser a forma isquêmica – mais grave e com perda visual prrofunda – ou a forma não isquêmica. Contudo, o principal sintoma é a perda repentina da visão ou de parte do campo visual. Muitas vezes, em casos menos severos, esta perda não é percebida por meses quando o olho contralateral supre as necessidades diárias de visão do paciente. Por esse motivo, recomenda-se o auto teste da visão de ambos os olhos separadamente.

A incidência destas doenças, ou seja, a taxa de aparecimento na população pode chegar a 0,4% ao ano e a chance de acometimento do olho contralateral pode chegar a 7% em cinco anos.

Os principais fatores de risco para seu desenvolvimento são: idade avançada, hipertensão arterial sistêmica, hiperlipidemia, diabetes mellitus, tabagismo, obesidade, hipertensão ocular ou glaucoma, doenças inflamatórias tipo sarcoidose e Behçet, hiperviscosidade sangüínea (policitemia, mieloma, macroglobulinemia de Waldenström) e trombofilias adquiridas ou hereditárias (hiperhomocisteinemia).

O tratamento de cada caso deve ser individualizado, pois dependerá da extensão da doença, do grau de isquemia, do tempo de aparecimento e da presença ou não de edema macular.



As modalidades terapêuticas disponíveis vão desde a simples observação clínica, passando por hemodiluição sistêmica – para diminuir a viscosidade sanguínea – em casos recentes, até cirurgias vitreorretinianas com intuito de liberar o fluxo sanguíneo na veia atingida. Porém, na maioria dos casos, o tratamento consistirá de injeções intra-vítreas de medicações antiangiogênicas (bevacizumabe – AVASTIN® ou ranibizumabe – Lucentis®), injeções intra-vítreas de corticóides (triancinolona) e fotocoagulação a laser. Para um futuro breve, novas medicações de liberação intra-vítrea prolongada estarão disponíveis.

O objetivo primário do tratamento é a melhora da visão e diminuição dos danos teciduais. Porém, em muitos casos, o objetivo é evitar complicações tardias graves como o glaucoma neovascular, doença que, além do acometimento da visão também pode desencadear dor ocular crônica.