Retinopatia

Diabética

O diabetes mellitus pode apresentar-se sob duas formas principais: Tipo 1, que inicia antes dos 30 anos e necessita tratamento com insulina; e o Tipo 2, que inicia em geral após os 30 anos e pode muitas vezes ser controlado por dieta e medicações por via oral.


Todo paciente diabético, seja Tipo 1 ou Tipo 2, necessita acompanhamento oftalmológico freqüente. Para o Tipo 1, a primeira consulta oftalmológica deve ser realizada antes do terceiro ano de diagnóstico do diabetes. Para o Tipo 2, a primeira consulta deve ser realizada logo após o diagnóstico da doença.As alterações oculares ocasionadas pelo diabetes são, principalmente, a retinopatia diabética e a catarata.

 

A retinopatia diabética é a principal causa de cegueira irreversível no mundo. Pode ser classificada, em ordem crescente de gravidade, em: leve, moderada, severa e proliferativa. Pode ainda haver, a partir do estágio moderado, o aparecimento de edema macular diabético, que é o inchaço da região central da retina, o que pode causar a perda da visão de detalhes como leitura e reconhecimento do rosto das pessoas.

 

O tratamento da retinopatia diabética, em todos os seus estágios, inclui uma gama extensa de modalidades, iniciando pelo acompanhamento clínico e orientações quanto ao controle metabólico da doença. Em casos mais avançados, utilizamos a fotocoagulação a laser, as injeções intra-vítreas de antiangiogênicos ou esteróides e a cirurgia vítreorretiniana.


O acompanhamento clínico realizado em conjunto com um endocrinologista deve ser a base de qualquer tratamento, sendo um dos objetivos principais a manutenção da hemoglobina glicosilada – exame que mede o controle do diabetes nos últimos três meses – abaixo de 7,0%.

 

A fotocoagulação a laser da retina tem como principal objetivo a prevenção de perda visual severa, e deve ser realizada sem atrasos nos casos de retinopatia diabética proliferativa ou edema macular. Este tratamento, muitas vezes, precisa ser realizado em várias sessões e em muitas vezes deve ser acompanhado de injeção intra-vítrea de medicação antiangiogênica (Avastin® ou Lucentis®) induzem um melhor controle da doença e melhor acuidade visual ao fim do tratamento.

 

Estas medicações, Avastin® ou Lucentis® (bevacizumabe e ranibizumabe, respectivamente), tem também um importante papel como adjuvante pré-operatório em casos de hemorragia vítrea ou descolamento tracional de retina por retinopatia diabética proliferativa. Simplificando, elas são usadas de quatro a sete dias antes de uma cirurgia vitreorretiniana, servindo para melhorar as condições cirúrgicas e, com isso, melhorar a qualidade da visão no pós operatório.

 

Outros avanços na cirurgia vitreorretiniana têm melhorado ainda mais o prognóstico dos casos mais severos. Cirurgias com instrumentais mais finos (23 e 25 gauges, sutureless) tem tornado o pós-operatório mais previsível, mais confortável para o paciente e com melhor resultado em termos de acuidade visual. Ainda, algumas técnicas utilizadas atualmente, como a retirada de membranas tracionais sobre a superfície retiniana (peeling) e a indução de um completo descolamento do vítreo posterior, são apontadas como decisivas para a obtenção de sucesso cirúrgico precoce e tardio, ou seja, manutenção de uma visão melhor por mais tempo. Por estes motivos a indicação cirúrgica tem sido cada vez mais precoce.

 

A catarata diabética pode ser tratada através de cirurgia, sempre levando em consideração a necessidade do tratamento da retinopatia que muitas vezes se apresenta concomitantemente. O resultado dos diversos tratamentos será melhor naqueles pacientes nos quais o controle dos níveis de açúcar no sangue for melhor e o quanto antes for iniciado o tratamento.